domingo, 23 de janeiro de 2011

“A Deriva"

Parte I
Após adormecer com lagrimas caindo pelo meu rosto, mesmo contra a minha vontade, acordei numa subida onda de pranto, as lagrimas rolavam e molhavam a minha face, já quase desfigurada. Pensamentos me assombravam, meu coração àquela altura já estava dominado pela ausência e pelo medo. Medo de que?
Medo de que aqueles poucos instantes que me restavam fossem os últimos que passaria ao lodo do meu amado, medo de que com o tempo minha presença em seu peito fossem apenas resquícios de um tempo que passou.
Contava os tiques do relógio, ansiava pelo seu despertar. E entre um pensamento e outro meus olhos denunciavam a dor que eu tentava esconder.
8h da manhã a porta do quarto se abre, busco forças dentro de mim para controlar a tormenta que havia se armado dentro de meu peito; olhei em direção à porta e lá estava ele; um tanto desajeitado e estranho naquele short azul que eu não suportava, seu rosto completamente amassado, mas mesmo assim eu conseguia ver o nervosismo refletido em seu semblante.
Ao se aproximar, num sussurro não tão sutil- sutileza nunca foi algo que pudesse se esperar dele afinal ele era o meu ogro, é foi nessa situação que eu sempre o amei - ele perguntou:
- Você está chorando?
Entre soluços eu tentava balbuciar uma resposta
- Não! – Eu respondi num tom quase fúnebre 
E ali ficou ele fitando-me enquanto o choro não cessava
Tentando mostrar-me forte perguntei:
- Você não vai se atrasar, você ainda tem que terminar de arrumar a mala
Ele respondeu:
- Ainda tenho tempo, quero ficar com você. Para de chorar, por favor! Me abraça ?!   
Pensei por alguns segundos, e o abracei o mais forte que pude, como resposta ele aperto-me forte também! E com um grito eu Falei:
- Ai amor assim você vai me esmagar!!
Ele respondeu:
-Promete que vai me esperar?   
Sem ao menos pensar nas conseqüências da minha resposta, disse sem pestanejar:
- É claro que sim!
Era estranho como tudo acontecia, quando eu estava com ele eu tinha tanta certeza da força do nosso amor, ele me passava confiança e quando eu o olhava sentia que por mais difícil que fosse à missão de esperá-lo eu suportaria. Quando eu estava ao se lado eu tinha certeza que não haveriam mudanças no nosso relacionamento, e acreditava que em breve estaríamos nos casando por mais precipitada que essa idéia fosse. 
Mas quando eu me encontrava perdida em meio ao meu mundo de pensamentos, o medo me corroia, a possibilidade de ver-me sozinha dilacerava-me, ficava imaginando o que eu faria sem ele, nunca havia me sentindo tão perdida como naquele momento.
Será que eu suportaria? Será que ele ainda me amaria amanhã? Será que ele ainda teria paciência para me entender? Será que ele iria mudar?
Todas essas perguntas me assombravam, e eu sabia que apenas o tempo iria poder respondê-las.
O que havia sido reservado para o nosso futuro?
À única coisa que eu sabia naquele momento é que eu amava tudo naquele garoto, e isso me assustava de uma forma medonha.
    Jéssica Miriele Machado 
2011, 10 de janeiro
                  

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