Havia chegado o dia pelo qual havia esperado ansiosamente durante aquelas 2 semanas que haviam se passado. Sabia Que naquele mesmo dia meu amado seria liberado e então ouviria o soar de sua voz novamente em meus ouvidos.
No decorrer da manhã acompanhava com os olhos e com o coração cada mover dos ponteiros do relógio da cozinha, aguardando que chegasse o momento em que ele iria irromper o meu dia com aquela doce voz que quase que sumia de meu imaginário.Ao acompanhar o ir e vir dos ponteiros, idealiza o momento em que o telefone iria tocar e em tudo o que eu iria declamar em versos simples porém verdadeiros para o homem que havia não só roubado o meu coração mas como todo o meu ser.
Começava a entardecer e o telefone continuava mudo e com o chegar da noite chegava também o desespero da incerteza.
O que ele estaria fazendo, que ainda não havia me ligado? Será que ele havia me esquecido? Estes questionamentos invadiam-me assim como a escuridão e a lua invadira o céu que outrora era anil.
Completamente dilacerada, busquei abrigo em suas fotos e recordações que haviam ficado, quase que hipnotizada devaneava em conversas antigas registradas no MSN
Em meio a devaneios pela internet, algo me chamou a atenção em minha página pessoal, em alguns segundos meus devaneios haviam de tornado pesadelos e os sorrisos arrancados a força por fotos e conversas passadas haviam sido transformados em lagrima e raiva.
Sabia que ele estava ali, conectado em algum lugar, e como que um tique nervoso atualizava minha página consecutivamente na expectativa de encontrar algum sinal de meu amado. Aquela altura dar algum sinal de vida já era considerado por mim mais do que sua obrigação.
Depois de alguns minutos de espera, deparei-me com a terrível conclusão de que mesmo conectado ele não havia me procurado. Um nó então se formou em minha garganta, as lagrimas rolavam por conta própria e inundavam a minha face. Já não era mais a tristeza de sua ausência que atormentava-me, mas sim a raiva por não ter sido lembrada.
Agora mais do que nunca me sentia perdida, à deriva no mar, sentia que a qualquer instante eu iria afundar e não haveria ninguém para me socorrer, pois a pessoa que eu mais amava havia pulado do barco e me deixado só.
Em meio a todos esses tormentos e sem poder esclarecê-los, deitei-me como que em fuga de tudo que me atormentava. Estava decidida a resolver aquela história no dia seguinte, e assim o dia que eu mais havia esperado durante aquelas últimas semanas havia se tornado algo que eu queria arrancar de minha memória
Será que ele ainda pensava em mim? Ou será que ele estava encantado com toda a liberdade que havia adquirido? Será que ainda sobraria tempo para mim?E em meio a todos os questionamentos quem eu tinha em mente sobre ele, uma nova pergunta surgiu em minha mente: Será que era essa a vida que eu queria para mim? Será que eu realmente estaria disposta a sofrer dessa forma, em nome de um amor?
Jéssica Miriele Machado
2011, 23 de Janeiro
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