domingo, 23 de janeiro de 2011

“A deriva II"

Parte II – “O sonho”
5 dias já se passaram desde que ele se foi. Sinto-me em meio á um deserto em uma noite de tempestade, minhas mãos voltaram a ser tremulas e eu sinto a luz cada vez mais distante de mim. Pensamentos me invadem sem que eu deixe-os entrar em minha mente, o cheiro de sua pele sopra em minhas narinas como uma leve brisa na qual sou envolta em desejos e sonhos sobrenaturais.
Como eu anseio por sua presença.
A angústia me consome a cada momento que o telefone toca, e eu descubro que não é ele que está do outro lado.
Estou presa em teias de lembranças das quais não quero me soltar, pois a verdade é que hoje sou um barco a deriva no mar em busca de um farol que possa guiar-me de volta pra casa.
Certa vez eu li, que o som emitido pelos faróis atravessam as espessas neblinas para chamar a atenção dos navegantes perdidos. Como eu desejo ouvir a voz do meu amado!
Como eu anseio estar de volta ao início.
Porque ouvir sua voz tornou-se tão difícil?
Lembro-me que “ontem” a ouvia sem motivos, sem razões apenas por puro capricho, hoje ouvir-te tornou-se necessidade.  
Minhas noites têm feito parte de um pesadelo que parece não ter fim, sonhos obscuros perturbam-me.
Na noite passada sonhei com a nossa aliança, no sonho eu à olhava em minha mão e a via amassada,cheia de arranhões e partida ao meio.
Mas apesar do seu estado material deplorável, ela não se soltou de meu dedo, continuava ali firme, mesmo machucada.
Ao despertar deste sonho pensei em mim, nele, em fim pensei em nós!
Este ano pode reservar surpresas para nós, podemos nos machucar, nos arranhar podemos até mesmo quase nos partirmos, mas no final sempre o que permanecerá será o nosso amor nos mantendo unidos aonde quer que estivermos.


Jessica Miriele Machado 
2011, 12 de Janeiro

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